sábado, 8 de outubro de 2011

Felicidade no Trabalho

“A mais bonita sorte, a mais maravilhosa fortuna que pode ocorrer para qualquer
ser humano,é ser pago para fazer aquilo que ele apaixonadamente ama fazer.” - Abraham Maslow.
 
Para sobreviver a um ambiente de hostilidades o ser humano primitivo organizou-se em sociedade. A história humana mostra a evolução desta associação, que se tornou extremamente complexa, numa rede de relações e interdependências, cuja culminância é a sociedade globalizada de hoje. A obtenção dos insumos necessários para a sobrevivência da espécie está baseada num sistema de trocas no qual o dinheiro é o passaporte para a aquisição de bens e serviços. A movimentação do dinheiro é a seiva que mantém vivo o sistema econômico. A quantidade de dinheiro, em espécie ou bens que possam ser revertidos em valores monetários, é que dá a cada um sua posição no sistema.

Assim fica fácil entender o que faz da acumulação de bens e valores o motor que move nossa sociedade. O indivíduo nasce dentro de uma família que, em função de suas posses, tem um posicionamento social. Esta é à base de seu desenvolvimento. A mobilidade social se dará em função da sua habilidade em transformar e ou de multiplicar esse seu potencial inicial.

O objetivo primário individual é “conservar e ou ganhar dinheiro”. Com este intuito existe o trabalho remunerado.

Historicamente, o trabalho humano sofreu muitas transformações na medida em que as sociedades também se transformaram. Da escravidão ao trabalho liberal. O trabalho humano é necessário. Com o trabalho são gerados os recursos para a sobrevivência da raça humana.

Seria então o retorno financeiro o único objetivo do trabalho remunerado? Para alguns trabalhadores é, e torna-se uma tarefa pesada. Executa-se uma atividade exclusivamente pelo retorno financeiro que ela irá propiciar. Realiza-se o trabalho por uma recompensa financeira ao invés de uma realização pessoal. A pessoa vai para o trabalho pela manhã primariamente porque ela sente que tem que ir ao invés de querer ir. Ela não tem nenhuma expectativa do trabalho além do salário que receberá no final de cada quinzena ou mês e espera ardentemente pelos finais de semana, quando então terá descanso ou algum prazer propiciado por uma atividade que gosta.

Outra forma de encarar o trabalho diário é pensando no desenvolvimento de uma carreira, o que não é muito diferente da situação anterior. O trabalhador continua motivado primariamente por fatores externos, tais como dinheiro e possíveis avanços na carreira, pelo poder e prestígio. Ele visa à próxima promoção e conseqüentemente, as novas vantagens que terá em subir na hierarquia.

Para outros, no entanto, o trabalho é fator de realização. A pessoa encara seu trabalho como uma vocação. O trabalho é um fim em si próprio. E isto ocorre quando a pessoa coloca suas forças pessoais naquilo que faz. Ela percebe que faz parte de um todo, e que seu bom desempenho faz diferença no mundo.

Muitos vivem na esperança de encontrar um trabalho certo e ou que um empregador certo apareça em suas vidas. Culpar os outros, nossos familiares, professores, chefes, governo – pode trazer simpatia, mas não felicidade. A responsabilidade por encontrar o trabalho certo ou criar as condições certas para o trabalho cabe a nós. Apesar de o pagamento ser certamente importante, a pessoa feliz primariamente trabalha porque deseja. Ela procura ativamente criar sentido e prazer em seu trabalho. Quando gosta daquilo que faz se com o trabalho. Ele passa a ser um privilégio ao invés de uma obrigação.

Encontrar o trabalho certo – trabalho que corresponda com suas paixões e forças - pode ser desafiador.

Você pode começar o processo fazendo a si mesmo algumas perguntas:
O que posso fazer?
Quais são as minhas forças?
O que eu faço bem?
O que eu desejo fazer?
O que me dará prazer?
O que me dará sentido?

Não significa necessariamente procurar outra atividade, mas em alguns trabalhos é possível reestruturar as tarefas para encontrar as condições necessárias para a felicidade.

Áreas da Vida

O nível global de satisfação com a vida de um indivíduo consiste da soma das satisfações que ele tem nas áreas da vida que considera importantes para si. Essas áreas estão estreitamente relacionadas com os objetivos pessoais e geralmente são consideradas como mais importantes.
Nós não valorizamos igualmente a todas as áreas da vida. O que é importante para você pode não ser para mim e vice-versa.
Michael B. Frisch (2006) descreve 16 áreas da vida nas quais está constituída a Qualidade Total de Vida de uma pessoa.
Vida Espiritual
Auto-Estima
Saúde
Criatividade 

Dinheiro 
Trabalho
Lazer
Aprendizagem (conhecimento)
Parentes
Amizade
Amor
Ajudar os outros
Filhos
Lar
Vizinhança
Comunidade

      FRISCH, Michael B. Quality of life Therapy, New Jersey: John Wiley &
      Sons, Inc., 2006.
 

Exercicio físico e hipertensão arterial

A hipertensão arterial é uma síndrome multifatorial cuja prevalência, no Brasil, atinge de 22% a 44% da população urbana adulta. Sendo assim, hoje, a hipertensão arterial, cuja maior incidência ocorre em pessoas obesas, sedentárias e consumidoras em excesso de sal e álcool, é considerada um dos principais fatores de risco para a doença cardiovascular (1).
Contudo, na última década, medidas alternativas para mudança no estilo de vida, tais como redução de peso, diminuição na ingesta de sódio e álcool e prática de atividade física regular, têm sido propostas para prevenir e combater essa síndrome. A adoção dessas medidas alternativas, dependendo do grau de hipertensão e da disponibilidade e aderência do paciente, pode ser empregada como tratamento único, não-farmacológico ou em concomitância com o tratamento farmacológico (2).
Tem sido amplamente demonstrado que o treinamento físico aeróbio provoca importantes alterações autonômicas e hemodinâmicas que vão influenciar o sistema cardiovascular.


Como exemplo, podemos citar a bradicardia de repouso (3,4), a diminuição da atividade nervosa simpática renal (5) e da atividade nervosa simpática muscular6, assim como o menor débito cardíaco em ratos espontaneamente hipertensos (7). Além disso, o treinamento físico aumenta a bradicardia e taquicardia reflexa tanto em animais (8,9) como no homem (6,10).
A prática regular de atividade física tem sido recomendada para a prevenção e reabilitação de doenças cardiovasculares e outras doenças crônicas por diferentes associações de saúde no mundo, como o American College of Sports Medicine, os Centers for Disease Control and Prevention, a American Heart Association, o National Institutes of Health, o US Surgeon General, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, entre outras. Estudos epidemiológicos têm demonstrado relação direta entre inatividade física e a presença de múltiplos fatores de risco como os encontrados na síndrome metabólica. Entretanto, tem sido demonstrado que a prática regular de exercício físico apresenta efeitos benéficos na prevenção e tratamento da hipertensão arterial, resistência à insulina, diabetes, dislipidemia e obesidade. Com isso, o condicionamento físico deve ser estimulado para todos, pessoas saudáveis e com múltiplos fatores de risco, desde que sejam capazes de participar de um programa de treinamento físico. Assim como a terapêutica clínica cuida de manter a função dos órgãos, a atividade física promove adaptações fisiológicas favoráveis, resultando em melhora da qualidade de vida.
Estudos epidemiológicos e clínicos têm demonstrado efeitos benéficos da prática de atividade física sobre a pressão arterial em indivíduos de todas as idades. Alto nível de atividade física diária está associado a menores níveis de pressão arterial em repouso (12). A prática regular de exercício físico tem demonstrado prevenir o aumento da pressão arterial associado à idade (13), mesmo em indivíduos com risco aumentado de desenvolvê-la (14).
Indivíduos hipertensos têm sido tradicionalmente desencorajados a realizar exercício resistido devido ao receio de essa modalidade de exercício precipitar um evento cerebrovascular ou cardíaco. Porém, estudos investigando o efeito de longo período de treinamento com exercício resistido sobre a pressão sanguínea de repouso não documentaram efeitos deletérios, sugerindo que indivíduos hipertensos não devem evitar sua prática, pois ela proporciona grandes benefícios para a qualidade de vida, principalmente de indivíduos idosos (15).
A promoção de adequada atividade física para os pacientes hipertensos como uma intervenção para a prevenção e o tratamento da hipertensão arterial apresenta implicações clínicas importantes, uma vez que o exercício físico regular pode reduzir ou mesmo abolir a necessidade do uso de medicamentos anti-hipertensivos, evitando, assim, os efeitos adversos do tratamento farmacológico e reduzindo o custo do tratamento para o paciente e para as instituições de saúde (16).

Referências:
1.  IV Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, Sociedade Brasileira de Hipertensão, Sociedade Brasileira de Cardiologia e Sociedade Brasileira de Nefrologia 2002;1-2,13-4.
2.  Appel LJ. Nonpharmacologic therapies that reduce blood pressure: a fresh perspective. Clin Cardiol 1999;22: III1-5.
3.  Negrão CE, Moreira ED, Brum PC, Denadai MLDR, Krieger EM. Vagal and sympathetic controls of the heart rate during exercise in sedentary and trained rats. Braz J Med Biol Res 1992;25:1045-52.
4.  Gava NS, Véras-Silva AS, Negrão CE, Krieger EM. Low-intensity exercise training attenuates cardiac β-adrenergic tone during exercise in spontaneously hypertensive rats. Hypertension 1995; 26:1129-33.
5.  Negrão CE, Irigoyen MC, Moreira ED, Brum PC, Freire PM, Krieger EM. Effect of exercise training on RSNA, baroreflex control, and blood pressure responsive ness. Am J Physiol 1993; 265:365-70.
6.  Grassi G, Seravalle G, Calhoun DA, Mancia G. Physical training and baroreceptor control of sympathetic nerve activity in humans. Hypertension 1994;23:294-301.
7.  Véras-Silva AS, Mattos KC, Gava NS, Brum PC, Negrão CE, Krieger EM. Lowintensity exercise training decreases cardiac output and hypertension in spontaneously hypertensive rats. Am J Physiol: Heart Circ Physiol 1997;273: H2627-31.
8.   Brum PC, Silva GJ, Moreira ED, Ida F, Negrão CE, Krieger EM. Exercise training increases baroreceptor gainsensitivity in normal and hypertensive rats. Hypertension 2000;36:1018-22.
9.  Silva GJJ, Brum PC, Negrão CE, Krieger EM. Acute and chronic effects of exercise on baroreflexes in spontaneously hypertensive rats. Hypertension 1997; 30:714-9.
  1. Somers VK, Conway J, Johnston J, Sleight P. Effects of endurance training on baroreflex sensitivity and blood pressure in borderline hypertension. Lancet 1991;337:1363-8.
  2. Ciolac,E.G. e  Guimarães,G.V. Exercício físico e síndrome metabólica.Rev Bras Med Esporte _ Vol. 10, Nº 4 – Jul/Ago, 2004.
  3. Wareman NJ, Wong MY, Hennins S, Mitchell J, Rennie K, Cruickshank K, et al. Quantifying the association between habitual energy expenditure and blood pressure. Int J Epidemiol 2000;29:655-60.
  4. Gordon NF, Scott CB, Wilkinson WJ, Duncan JJ, Blair SN. Exercise and mild hypertension. Recommendations for adults. Sports Med 1990;10:390-404..
  5. Kasch FW, Boyer JL, Van Camp SP, Verity LS, Wallace JP. The effects of physical activity and inactivity on aerobic power in older men (a longitudinal study). Physician and Sportsmedicine 1990;18:73-83.
  6. Pollock ML, Franklin BA, Balady GJ, Chaitman BL, Fleg JL, Fletcher B, et al. Resistance exercise in individuals with and without cardiovascular disease: benefits, rationale, safety, and prescription: an advisory from the committee on exercise, rehabilitation, and prevention, council on clinical cardiology, American Heart Association. Circulation 2000;101:828-33.
  7. Rondon MUPB, Brum PC. Exercício físico como tratamento não-farmacológico da hipertensão arterial. Rev Bras Hipertens vol 10(2): abril/junho de 2003